Arquivo da categoria: Seu Teodoro

Matéria da jornalista Leilane Menezes, publicada em 11 de novembro de 2011

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Parabéns, mestre Teodoro!

Teodoro Freire, mais conhecido como Seu Teodoro do Bumba-meu-boi, é movido a felicidade. Com o corpo frágil e já castigado pelo tempo, ele sorri quase o tempo todo. Tristeza só entra em casa quando o time do coração, Flamengo, perde. Hoje (quarta-feira) o riso de Seu Teodoro está garantido. Esse importante personagem da cultura brasiliense completa 91 anos, com grande comemoração na cidade que escolheu para viver, Sobradinho (Ver Programação). Virão atrações do Maranhão e de todo o Distrito Federal para homenagear a vida de Seu Teodoro.

Ao trazer a mais tradicional manifestação folclórica de sua terra natal, o Maranhão, para Brasília, o senhor de olhos miúdos e bigode vasto entrou para o calendário oficial da cultura na capital do país. Há 48 anos, ajuda a deixar Brasília com mais cara de Brasil. Todo ano, depois do mês de julho, é hora de brincar o boi, em Sobradinho. Esse ano, a folia ocorreu em agosto. A história de pai Francisco e Catirina é contada com humor teatral. A moça está grávida, com desejo de comer língua de boi. Francisco mata o animal.

O preço para satisfazer os desejos de Catirina é alto. Francisco vai preso. Só ganha a liberdade quando o boi ressuscita, com intervenção de feiticeiros. A trama é embalada por música regional, roupas vibrantes e pela empolgação de quem se propõe a representar. Nesse aniversário, Seu Teodoro terá uma celebração a seus moldes, cheia de cores, danças e risos. Enquanto assistir ao espetáculo, vai se lembrar da infância no interior, em São Vicente de Férrea (MA). “Ver o boi era a única diversão. Mas na festa dava briga. Eu era menino e minha mãe não deixava eu assistir.
Então, eu fugia de casa meia-noite”, lembrou.

Antes de viver em Brasília, Teodoro morou no Rio de Janeiro. Lá, apaixonou-se pela escola de samba Mangueira e aprimorou o amor pelo Flamengo. A ponto de batizar um dos filhos como Tauá, em homenagem a uma ilha do Maranhão, e dar-lhe o segundo nome igual ao do clube rubro-negro. “Flamengo (o time) é diferente dos outros. Tem felicidade demais”, justificou. Hoje, guarda em casa bandeira do clube na parede da sala. Estendeu também uma do Maranhão. “Só não achei bandeira grande da Mangueira. Já subi até o morro, mas não achei”, disse.

Trazer o boi “na mala” quando mudou-se para Brasília, em 1962, foi uma forma de manter a lembrança viva. Mais do que isso, a forma que Seu Teodoro encontrou de não se distanciar de si mesmo. Repassou o gosto pela cultura à família inteira. O maranhense aprendeu a ler e a escrever. Mas não se aprofundou nos estudos, por falta de oportunidade. Teve de trabalhar desde sempre. “Eu fiz de tudo. Macetei pilão, trabalhei em oficina. Não sobrou tempo. Eu queria ter sido militar. Mas não reclamo. Alguém como eu ter todas essas honras em Brasília, quem diria?”, refletiu.

Seu Teodoro diz ter realizado seus sonhos mais importantes. “Podia não existir morte. Quando a idade veio chegando, eu só tinha medo de uma coisa: do boi acabar. Agora, meu filho mais moço assumiu a festa. Eu quero mais. Mas se não der, estou pronto para fazer a viagem”, disse. Apesar de tentar se resignar, o maranhense espera viver muitos anos. Para tomar café da manhã com farinha d’água e comer cozido de boi com quiabo e maxixe. E também para dar atenção e carinho a sua companheira inseparável, Maria José, 78 anos, uma piauiense que aprendeu até a bordar roupa do boi para agradar ao marido.

Teodoro acorda bem cedo. Antes das complicações de saúde com um enfisema pulmonar — agora ele precisa de tubo de oxigênio para respirar — ele saía pouco depois das 6h de casa, diariamente. Ia à Catedral para rezar e depois à UnB, seu antigo local de trabalho. Lá, tomava um café com os amigos e conversava amenidades.

Toda semana, aparecia no Congresso Nacional para visitar os gabinetes de deputados e senadores do Maranhão, entre eles José Sarney, por quem nutre admiração. Seu Teodoro fala com paixão sobre esses temas. Não sabe gostar pouco. Se empolga tanto que até falta o ar. Melhor encurtar o assunto e guardar o fôlego para a festa de mais tarde.”

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Velório de Seu Teodoro Freire será no Centro de Tradições Populares a partir das 12h

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O Velório de Seu Teodoro Freire será realizado no Centro de Tradições Populares, em Sobradinho(Quadra 15, área especial, nº 02, ponto de Referência-ao lado do Clube do SESI de Sobradinho), das 12h deste domingo (15-01) até as 11h desta segunda-feira (16-01).  Além de ser o lugar mais querido de Seu Teodoro (onde eram realizadas as festas e rezas do Bumba-meu-boi), o lugar é amplo o suficiente para receber a todos os amigos, parentes e a todos que queiram dar seu último adeus ao Mestre da cultura popular do DF e do Brasil, que escreveu com sacrifício, simplicidade e amor, o nome dele na história da capital de todos os brasileiros. Seu Teodoro foi convidado no início dos anos 60 por Darcy Ribeiro (UnB) e Ferreira Gullar (Fundação Cultural do DF) a se mudar com a família  para Brasília.

A família resolveu manter o festejo de São Sebastião até o dia 2o de janeiro, por ter muitas orações e uma parte religiosa muito significativa. O QUE FOI CANCELADA FOI A FESTA DE ANIVERSÁRIO DE 49 ANOS DO “BUMBA-MEU-BOI E TAMBOR-DE-CRIOULA DE SEU TEODORO”, QUE TERIA UMA PROGRAMAÇÃO CULTURAL INTENSA, COM A VINDA DE GRUPOS DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO.  “Não há mais clima”, finalizou o filho de Seu Teodoro, Guarapiranga Freire.

Assessoria de Imprensa – Marcos Linhares – (61) 8405-8290- 9231-2727 – 8120-5196

Seu Teodoro morre de parada cardíaca nesta madrugada (15-01)

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O mestre da cultura popular e do Bumba-meu-boi no DF e no Brasil, Seu Teodoro Freire, faleceu às 3h20 desta madrugada (15-01-2011) no Hospital Santa Helena, em Brasília. Ele estava com 91 anos e sofria de enfisema pulmonar, e já há alguns dias vinha resistindo bravamente aos revezes das saúde debilitada. Ele conseguiu, ainda em vida, a honra e o merecido reconhecimento de receber das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do também então Ministro da Cultura Gilberto Gil, a Ordem do Mérito Cultural tornando-se uma grande referência de cultura popular na cidade e sendo reconhecido o trabalho dele como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Seu Teodoro foi convidado no início dos anos 60 por Darcy Ribeiro (UnB) e Ferreira Gullar (Fundação Cultural do DF) a se mudar com a família  para Brasília.

“Ele será cremado nesta segunda-feira (16-01) e já estamos providenciando os detalhes de seu velório”, informou consternado um dos filhos dele, Guarapiranga Freire, que nos últimos anos tem assumido a responsabilidade em continuar com o trabalho cultural do Bumba-meu-boi e do Tambor-de-Crioula de Seu Teodoro.

No último dia 10 foi aberto o período de festejos de São Sebastião, que iria até o próximo dia 20. “Com o falecimento de meu pai, teremos que cancelar toda nossa programação deste mês. Não há o menor clima de continuarmos com as festividades agora. Ficou um vazio muito grande”, explicou Guarapiranga Freire.

Sonhos não realizados

Seu Teodoro Freire, como idealista e grande sonhador, partiu sem conseguir realizar alguns de seu maiores sonhos: o primeiro e maior, era  a construção da nova sede do Centro de Tradições Populares. “Esse sonho, lutaremos para tentar realizar e dependemos da garantia de recursos junto ao Governo do Distrito Federal e da iniciativa privada. Pena que não conseguimos realizá-lo em 2013, dentro das comemorações do cinquentenário do Bumba-meu-boi e Tambor-de-crioula de Seu Teodoro. Chegamos até a lançar o projeto arquitetônico das novas instalações do Centro de Tradições Populares”, relembrou Guarapiranga Freire. Segundo ele, os objetivos da nova sede são: a manutenção deste Patrimônio Cultural Imaterial do Governo do Distrito Federal, promoções de intercâmbio cultural entre Brasília -DF / Maranhão, entre outras unidades da federação, e ainda uma parceria planejada para atender os anseios da comunidade do Distrito Federal, com atenção especialmente voltada para as Escolas Públicas e Zonas rurais. ” Esse espaço em Sobradinho, que abriga todas as festas maranhenses, será transformado em museu quando o novo edifício for construído”, promete Guarapiranga Freire.

Outras paixões não realizadas de Seu Teodoro eram aparentemente ainda mais difíceis: a construção, em pleno Planalto Central, de um clube de regatas do Flamengo e uma versão local da Estação Primeira de Mangueira, a escola de samba do coração dele.

Seu Teodoro Freire

Seu Teodoro chegou à cidade em 1962, trabalhou na Unb, criou o Centro de Tradições Populares e seguiu mantendo viva a cultura do Bumba meu boi na cidade

O maranhense Teodoro Feire, conhecido como Seu Teodoro, nasceu na pequena cidade de São Vicente Ferrer, localizada a 280 km de São Luís (MS), em 1920. Desde os oito anos era apaixonado pelo cultura popular e dedica-se à tradição de sua região: o Bumba meu boi e outras paixões como o time de futebol Flamengo e sua escola de Samba, a Mangueira. Ele sempre usava um chapéu de palha com tira vermelha e preta, referência à paixão pelo time rubro-negro carioca. “Sempre recordo do dia que ganhei meu chapéu de palha, com uma tira preta, de um estudante da Universidade de Brasília.  Depois, tive que colocar a fita vermelha já que não uso o preto sem o vermelho junto”, gostava de falar.

Quando menino, em épocas festivas,  saía às escondidas para acompanhar os cantadores e as toadas de boi, escondido da sua mãe. Passou uma temporada no Rio de Janeiro até chegar em Brasília, em 1962.

Assim que chegou à capital do Brasil, foi trabalhar na Universidade de Brasília e após um ano criou o Centro de Tradições Populares, em Sobradinho, com o intuito de difundir e levar adiante as festas e danças dessa importante manifestação da cultura e folclore brasileiro. “É importante manter a dança do boi viva para as novas gerações”, gostava de defender.

A primeira apresentação e visita à cidade aconteceu mesmo antes de morar em Brasília. Foi no primeiro aniversário da cidade, quando veio para fazer uma apresentação. Encantou-se com o Planalto Central e veio para ficar.

O Centro de Tradições Populares, no começo, era bem simples, feito de paredes de taipa, chão de terra batida e teto de palha. Hoje, tem uma boa estrutura e reúne cerca de 75 integrantes onde faz apresentações de bumba-meu-boi, de Tambor-de-Crioula e comemora as festas de São Sebastião, São Lázaro e da Matança do Boi (essa há 49 anos). Houve também o Encontro-de Bumba-meu-Boi realizado na Funarte, em homenagem ao sempre empolgado mestre.

Saímos no Correio Braziliense -11-11-2011

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Na festa de 91 anos, Seu Teodoro “cai na farra”

Mariana Moreira

Publicação: 11/11/2011 09:04Atualização: 11/11/2011 09:10

Sentado no camarote, abrindo a todo o momento o largo sorriso, Seu Teodoro, o embaixador da cultura maranhense no Distrito Federal, recebeu de braços abertos a comunidade, que comemorou com ele o 91º aniversário. Nem o enfisema pulmonar, que agravou seu estado de saúde há poucos meses e agora o obriga a estar sempre na companhia de um balão de oxigênio, foi capaz de conter a animação. Ao lado da mulher, Maria Sena, ele tocou sua matraca (instrumento percussivo feito em madeira), ganhou apertos de mão, elogios, presentes (até uma estátua de Nossa Senhora Aparecida) e posou para fotos. A festança, que começou de manhã e se estendeu até a noite de quarta-feira, contou com 11 apresentações de grupos locais e do Maranhão, e reuniu gerações de parentes, amigos ou simplesmente gente que admira a devoção do mestre à cultura popular.

 (Kléber Lima/CB)

“Estou muito feliz. Começamos isso aqui no chão de terra batida e olha como está hoje”,  comemorava, orgulhoso, enquanto admirava as paredes do Centro de Tradições Populares. Esse espaço em Sobradinho, que abriga todas as festas maranhenses, será transformado em museu quando o novo edifício for construído. Ao chegar, por volta das 10h, o mestre cumprimentou, um a um, funcionários e frequentadores do centro. Volta e meia, brincantes que se apresentavam invadiam o cercadinho de Seu Teodoro para abraçá-lo.

Uma delas era uma das netas, a estudante de administração de empresas Aline Freire, 23 anos, que aprendeu sobre o sacerdócio cultural do avô nas salas de aula. Ela viveu na casa de Teodoro até os 10 anos, mas sempre manteve certa distância da tradição familiar. Aos 12 anos, teve uma aula sobre bumba meu boi na escola e assistiu a uma palestra do avô. Antes de ir embora, ele se despediu da menina de um jeito carinhoso, despertando a curiosidade da professora. Ao ouvir que a menina era neta dele, a professora disparou: “Seu Teodoro é a cultura viva desta cidade!”.

“Eu o conhecia pelo amor, por manter a família unida. Nesse dia, descobri quem ele era para a cidade. Mas meu avô já era o amor da minha vida”, declara a neta, que não passa um dia sequer sem visitá-lo e hoje, apesar de não brincar o boi, ajuda a família em diversas atividades relacionadas à tradição.

Paixões
No dia dedicado a ele, Teodoro seguiu, com olhos atentos, as fitas coloridas e o gingado do boi, e a toada do tambor de crioula, que teve o traje novo abençoado em uma reza, durante o almoço. Ouviu samba, repente, embolada. Bateu palma, saudou amigos. Levando sempre na cabeça o chapéu de palha com tira vermelha e preta, referência à paixão pelo time rubro-negro carioca. “Ganhei esse chapéu de palha, com uma tira preta, de um aluno da Universidade de Brasília. Tive que colocar a fita vermelha porque nunca uso preto sem o vermelho junto”, brinca.

A paixão pelo Flamengo é tanta que alimenta sonhos do maranhense: enquanto viver, ele fará o possível para construir, em pleno Planalto Central, um clube de regatas do Flamengo e uma versão local da Estação Primeira de Mangueira, sua escola de samba do coração.

Enquanto suas novas “crias” não se concretizam, o boi, que já fincou pés no cerrado, deixa seu legado para os mais novos. Um deles é o pequeno Erick Ferreira, 6 anos completados hoje, que já circula com desenvoltura entre as muitas possibilidades do bumba meu boi. Ele canta, dança como vaqueiro e sabe tocar pandeiro, matraca e maracá (chocalho indígena).

Também pudera. Desde a barriga da mãe, a copeira Sílvia Ferreira, 28 anos, participa do ritual popular. “Ele não presta atenção na escola. Só quer saber mesmo é de boi”, entrega a mãe. Durante a homenagem a Seu Teodoro, o menino aproveitou o salão vazio para ensaiar alguns passos como mestre do boi (que dança com a fantasia do animal). “Quando estamos debaixo do boi, ele não arranha nem morde”, diz o menino, explicando suas preferências. Sinal de que a picada aberta por esse nonagenário de riso fácil, rumo a uma das tradições mais fascinantes do país, não tem mais volta.

Mestre Teodoro Freire, 91 anos! Comemoração com artistas do DF e do Maranhão

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O Boi Barrica (MA) será uma das atrações da festa de aniversário de 91 anos do Seu Teodoro. Eles apresentarão o espetáculo "Natalina" - foto - Márcio Vasconcelos

Na quarta-feira (9 de novembro), a Quadra 15 Área Especial no. 2, em Sobradinho, no Centro de Tradições Populares, das 10h às 21h, será realizada a grande celebração do aniversário de 91 anos de Seu Teodoro Freire ao ritmo de muita cultura popular. No auto de seu quase um século de existência e com uma sanidade mental invejável, o “Seu Teodoro do Bumba-meu-boi” receberá uma comemoração digna de sua bagagem cultural. Família, amigos, autoridades, comunidade, artistas locais e grupos culturais vindo do Maranhão, com presenças já confirmadas da Cia Barrica com espetáculo “A Natalina da Paixão” e Bicho Terra, além do Tambor-de-crioula e Boi da Fé Em Deus.

Tambor de Crioula

Tambor-de-Crioula de Seu Teodoro será batizado nesse mesmo dia, apresentando indumentárias novas de Coureiras e Coureiros. O grupo criado pelo Mestre há 48 anos (uma das paixões dele), prestará uma grande homenagem ao anfitrião Mestre Teodoro, Cidadão Honorário de Brasília – DF.

 

Seu Teodoro Freire

Ele é o grande responsável pela presença do Bumba-Meu-Boi em Brasília. A história de Seu Teodoro Freire mistura-se com a história da capital de todos os brasileiros. Ele veio para Brasília em 1962, para trabalhar na UNB e no ano seguinte deu início aos seus projetos Culturais – O Bumba-meu-boi e Tambor-de-crioula-, entre outras festas religiosas, buscando preservar a cultura maranhense. O reconhecimento do Estado pela contribuição dele à cultura brasileira foi oficializado em 8-11-2006, quando recebeu das mãos do, então, presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Ordem do Mérito Cultural. Seu Teodoro também possui outras paixões: o futebol e seu amado Flamengo e o Carnaval e seu querida escola Estação Primeira de Mangueira. Ele acredita que verá a conquista do sétimo campeonato brasileiro do Flamengo ainda neste ano de 2011.

 

Construção da nova Sede do Boi

Atualmente, um dos maiores sonhos dele é a construção da nova sede do Centro de Tradições Populares, que só será possível por meio da garantia de recursos junto ao Governo do Distrito Federal e iniciativa privada. Mestre Teodoro deseja inaugurá-la numa uma grande festa popular em 2012, dentro das comemorações do cinquentenário do Bumba-meu-boi e Tambor-de-crioula de Seu Teodoro. Será lançado neste mesmo dia o projeto arquitetônico das novas instalações do Centro de Tradições Populares, cujos objetivos são: a manutenção deste Patrimônio Cultural Imaterial do Governo do Distrito Federal, promoções de intercâmbio cultural entre Brasília -DF / Maranhão, entre outras unidades da federação, e ainda uma parceria planejada para atender os anseios da comunidade do Distrito Federal, com atenção especialmente voltada para as Escolas Públicas e Zonas rurais.

Grupos participantes

 

Companhia Barrica – grupo artístico de São Luís do Maranhão, premiado com a Ordem do Mérito Cultural do Brasil, com 26 anos de permanente atuação voltada para a valorização e afirmação da cultura popular brasileira, apresentando em seus espetáculos uma variedade de danças, ritmos, músicas e indumentárias das maiores festas tradicionais do Brasil: os festejos de São João, o Natal e as folias Carnavalescas e também no exterior.

Grupo carnavalesco do Maranhão “Bicho Terra”– De acordo com informações do poeta Joevah França, “dando vida as variadas formas de brincar o carnaval do Maranhao , o Bicho-Terra nao erra pelos desvaos das terras inférteis de falta de identidade cultural como tantos outros por aí e canta as suas raízes, cores e ritmos mil: pelos cantos guerreiros de tribos de índios; pelo banzo de afoxés de negro – mina – Jeje – Nagô; pelos príncipes e súditos folioes da cadencia dos blocos tradicionais; pela sujeira da caieira de molambos maltrapilhos da alegria dos Baralhos e blocos de sujos, sob saraivadas de frevos e marchinhas e confetes de saudades. O espetáculo é carnaval! Apresenta-se sob essa variedade de ritmos e de danças, cantando as liçoes da natureza, num cenico-musical que alia a mímica e o grasnar dos animais, na relaçao entre os reinos vegetal, mineral e animal, todos na corda bamba do desequilíbrio da vida simbolizada nas rústicas fantasias e máscaras: trágicas e alegres, de peleja e folia, de choro e riso, de sino e de guizo, tilintando e berrando neste planeta Terra”.

Boi  da Fé em Deus (MA) – do sotaque de zabumba, que há 73 anos faz parte do elenco de brincadeiras que colorem e enriquecem a cultura popular maranhense. Foi o primeiro grupo de bumba-meu-boi a inserir em sua indumentária elementos decorativos compondo desenhos no couro do boi, como miçangas e canutilhos, que deram um colorido e um brilho especial aos grupos de zabumba, que até hoje chamam atenção pela riqueza de seus bordados não só no couro do boi, mas também nos saiotes, chapéus e golas dos brincantes;

SOBRE O BUMBA-MEU-BOI

 

O Bumba-Meu-Boi é tido como uma das mais ricas representações do folclore brasileiro, surgiu através da união de elementos das culturas europeia, africana e indígena. A festa do Bumba-Meu-Boi é uma espécie de ópera popular, cuja história se desenvolve basicamente em torno de um rico fazendeiro, um dos mais belos bois do seu plantel e o casal de trabalhadores da fazenda. As brincadeiras do Boi começam no sábado de aleluia, quando acontecem os primeiros ensaios com todos os brincantes e quando são definidas as coreografias e as formas das danças. No dia 23 de junho, o Boi é batizado. A partir desse momento, estará pronto para participar de todas as brincadeiras e segue como principal atração das festas. O ciclo se fecha com a morte do Boi.

Informações para o público:  9669 1020

Assessoria de Imprensa –Marcos Linhares – 8405-8290 – Vitor Ferns – 8167 3838

Seu Teodoro, o patriarca da cultura popular na capital

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Seu Teodoro, o patriarca da cultura popular na capital

Seu Teodoro chegou à cidade em 1962, trabalhou na Unb, criou o Centro de Tradições Populares e segue mantendo viva a cultura do Bumba meu boi na cidade

Por Gabriel Alves

O maranhense Teodoro Feire, conhecido como Seu Teodoro, nasceu na pequena cidade de São Vicente de Ferrer, localizada a 280 km de São Luis, em 1920. Desde os seus 8 anos é apaixonado pelo cultura popular e dedica-se a tradição de sua região, o Bumba meu boi e outra paixão curiosamente é o time de futebol Flamengo. Em épocas festivas saia às escondidas para acompanhar cantadores e as toadas de boi, escondido da sua mãe. Passou uma temporada no Rio de Janeiro até chegar a Brasília em 1962.

Assim que chegou à capital do Brasil, foi trabalhar na Universidade de Brasília e após um ano criou o Centro de Tradições Populares, em Sobradinho, com o intuito de difundir e levar adiante as festas e danças dessa importante manifestação da cultura e folclore brasileiro. “É importante manter a dança do boi viva para as novas gerações”, fala.

A primeira apresentação e visita a cidade aconteceu mesmo antes de morar em Brasília. Foi no primeiro aniversario da cidade, quando veio para fazer uma apresentação. Encantou-se com o planalto e veio para ficar.

O Centro de Tradições Populares, no começo era tudo bem simples, feito de paredes de taipa e teto de palha. Hoje tem uma boa estrutura e reúne cerca de 75 integrantes e onde faz apresentações de bumba-meu-boi, de Tambor-de-Crioula e comemora as festas de São Sebastião, São Lázaro e da Matança do Boi (essa há 48 anos).  Há também o Encontro de Bumba meu Boi realizado na Funarte, em sua homenagem.

As festas costumam reunir diversos brincantes e objetivam divulgar uma das mais antigas manifestações populares brasileiras, sempre mostrando o encontro de sotaques de Bumba meu Boi, como o zabumba, a orquestra e o da baixada grupos para apresentação.

Sotaques de Boi

As manifestações podem ser vistas em praticamente todos os estados do Brasil. O que diferencia os grupos são os sotaques, os ornamentos e os instrumentos utilizados pelos participantes. Com algumas variações de região para região, os grupos de Boi utilizam instrumentos como o maracá, a matraca, o pandeirão, o tambor onça, o tamborinho, o zabumba, o tambor de fogo.

91 anos

Prestes há completar 91 anos em 9 de novembro, Seu Teodoro tem a imensa honra e o merecido reconhecimento, de receber das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Silva e do ex Ministro da Cultura Gilberto Gil, a Ordem do Mérito Cultural tornando-se uma grande referência de cultura popular na cidade e um patrimônio imaterial do Distrito Federal.

Seu Teodoro Freire - foto de Daiane Souza- Agência UnB